Autocarros e frio não combinam
Os tristes coitados, como eu, que andam de autocarro todos os dias, aquele ritmo frenético do puxa e empurra, as vozes irritantes das velhotas quando dizem "Só um momentinho que eu ainda nao sai..." sabem perfeitamente daquilo que vou falar, ou devo dizer resmungar?
Uma pessoa levanta-se toma um banho quente, e só não fica lá horas a fio porque o tempo é escasso e a àgua está cara, toma um cafézinho bem saboroso, quente e reconfortante, acompanhado de umas torradas deliciosas que fazem a nossa saliva saltar com a manteiga a derreter de uma maneira tão saborosa, fazendo com que este pedacinho da manhã seja mesmo de se apreciar... e depois, pomos o pé fora de casa. Aqui o quentinho acolhedor da nossa casa dá lugar a um vento gélido que nos congela até os ossos, onde o cabelo acabadinho de arranjar volta a ficar completamente "desgranhado", as pessoas olham-nos com um ar de quem diz "Eu sei o que estás a sofrer, eu também estou!". O caminho até à paragem do autocarro é novamente algo tortuoso, o vento continua a nos bater na cara e parece que estou a ser cortado em fatias como se de um autêntico pão se tratasse.
Apesar do autocarro estar mais quentinho, uma vez que o calor humano também aquece, a verdade é que vamos ter que voltar a sair e por mais que se tente olhar para isto de uma maneira positiva não se consegue. É frio e apalpadelas dentro do autocarro, é ouvir pa cabeça das velhas porque nós não damos o lugar pa elas se sentarem, é ouvir o Kizomba dos MP3 das outras pessoas aos altos berros que o mais certo é os timpanos rebentarem dentro de pouco tempo, é sentir os odores que se podem muito bem comparar a cheiro de pocilga. Enfim, eu cá só digo, O que um gajo faz para tirar um curso! Espero é depois andar de Mercedes...
